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  • Mário de Almeida

Toda empresa é a sua marca.

Estamos em um momento único. Nossa geração e nem a geração anterior haviam passado por esta situação. Sem dúvida estou muito mais reflexivo sobre a vida e o comportamento humano.


Voltei a ler livros físicos, estava praticamente apenas no virtual. Por indicação do amigo Paulo Ferreira, li o livro Sapiens de Yuval Noah Harrari, por sinal recomendo a leitura, e em um capítulo me entusiasmei em escrever este artigo. No capítulo da Revolução Cognitiva o autor fala da “A lenda da Peugeot”.


Tenho certeza de que todos conhecem a marca e a empresa Peugeot, mas talvez não saibam a origem. A família Peugeot vem envolvida em vários tipos de negócios desde o século XVIII. Em 1842 entraram no ramo alimentício produzindo moinhos de café, depois disso começaram a produzir armações para vestidos, guarda-chuvas, fundição de aço, ferramentas e utensílios doméstico. Em 1882 começaram a fabricar bicicletas e motos, empresa que Armand Peugeot herdou de seus pais e deu origem a esse gigante mundial na fabricação de automóveis.


Apenas uma curiosidade, saindo um pouco do tema do artigo, o primeiro carro importado Peugeot chegou ao Brasil em 1891 e foi adquirido pelo jovem inventor, Alberto Santos Dumont, que mais tarde seria conhecido como o "Pai da Aviação".


Como vimos antes, a família Peugeot atuava em vários ramos de atividade e por isso em 1850 criou marcas para distinguir as diferentes ferramentas que fabricava, e por isso registou três marcas figurativas distintas: uma mão (para os produtos de 3ª categoria), uma lua crescente (2ª categoria) e um leão (1ª categoria), apenas o leão sobreviveu com o passar do tempo. Atualmente um leão que lembra o homem-leão de Stadel aparece em carros, caminhões e motocicletas de Paris a Porto Alegre. A marca do leão foi registrada em 1858 pelos irmãos Peugeot (Jules e Emile) e feita pelo artesão Julien Blazer, para representar força, resistência e dinamismo.


Voltando ao livro Sapiens, trago a reflexão que o autor leva aos seus leitores. O que é a Peugeot?


Peugeot são os carros nas ruas? Há muitos veículos da Peugeot nas ruas, mas estes obviamente não são da empresa. Mesmo que todos os Peugeot no mundo fossem descartados ao mesmo tempo e vendidos para o ferro-velho, a Peugeot não desapareceria. Continuaria a fabricar novos carros e a publicar seu relatório anual.


Peugeot são seus acionistas e funcionários? Armand Peugeot faleceu em 1915, mais de 100 anos. Atualmente a Peugeot pertence ao Grupo PSA que detém a Peugeot e Citroën, e em 2019, a empresa anunciou um acordo de fusão com o Grupo FCA, donos das marcas Fiat e Chrysler. A Peugeot tem gestores e acionistas, mas eles não constituem a empresa. Os gestores, assim como os funcionários, poderiam ser demitidos (e deve acontecer com diversos todos os anos). As ações poderiam ser vendidas, mas a empresa propriamente dita permaneceria intacta.


Então a Peugeot são suas fábricas, maquinários e showrooms? Um desastre poderia destruir todas as linhas de montagem e todos escritórios. A empresa teria dificuldades financeiras, teria que recorrer a empréstimos, construir novas fábricas, comprar novo maquinário.


Se a Peugeot não são seus carros nas ruas, não são seus acionistas e funcionários, e não são suas fábricas e estrutura, o que é a Peugeot? A Peugeot é a sua marca.


Empresas são criadas, fábricas são fundadas, funcionários são contratados, depois demitem, fecham filiais, tem os produtos nas ruas. É claro que tem valor o patrimônio, mas ela é, em sua essência, a sua marca.


Basta ver casos extremos, para quem não sabe quem é Morgan Spurlock, ele foi um homem que passou 30 dias se alimentando apenas de McDonalds em 2003, história contada no documentário Super Size Me e os riscos da alimentação gordurosa de fast foods. O McDonalds preocupado com a repercussão negativa para a sua marca, fez várias ações, entre elas a mudança de cardápio, inclusão de saladas, fim do tamanho "Super Size", orientações de calorias. Todas ações com uma única preocupação, a marca McDonalds.


A marca é o maior patrimônio da sua empresa. Assim como o seu nome é o seu maior patrimônio na vida pessoal.


Lembre sempre que ao nascer não temos nome. O nome que nos deram é uma marca que, em princípio, seguirá durante toda a existência. E para ela valer é necessário registro. Esse registro é nosso cartão de apresentação de existência, a certidão de nascimento.


Você gostaria que sua empresa fosse surpreendida com alguém ordenando que troque o seu nome, a sua marca, mude a identidade? Por este motivo é tão importante protegê-la, mantê-la ativa e registrada.


Pense nisso: toda empresa é a sua marca.


Alexandre Limeira

Grupo Mário de Almeida



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